Se você acredita em conto de fadas, em algum momento é bem provável que tenha inventado ou enfeitado seu príncipe.
Príncipes não chegam a cavalo.
São chatos e cheios de manias.
Fogem do óbvio e sabem como doer.
Príncipes não fazem planos, não fazem alarme e não fazem nada exatamente como a gente quer.
Príncipe que é príncipe se faz de difícil e acha que tem sempre razão.
Finge que não erra.E não faz questão de agradar.
Ele é o que sempre foi ou ele foi o que você gostaria que ele fosse?
A linha tênue que atravessa os olhos de quem não vê ou finge que não vê.
Ninguém sustenta aquilo que não é por muito tempo ou tem as rédeas do personagem que toma o lugar de si próprio ou de nossos delírios. O si mesmo sempre vem a tona.O si mesmo grita.
A verdade estava lá o tempo todo, como um cristal- mas é de devaneio que a gente vive pra enfeitar qualquer desejo a beira do abismo.
Pegamos lápis e papel e desenhamos a própria história onde fadas realizam sonhos.
Ilusão- E vale jogar pedras em quem se a ilusão vale pra qualquer um?
É que o fulano não é tão complicado quanto parece, é que o fulano talvez não saiba como demonstrar seus sentimentos, é que o fulano é esquisito assim, mas bem no fundo, no fundo do fundo do fundo mesmo, fulano é demais!
É que o fulano não me ama agora, mas vai me amar um dia, é que o fulano não é tão chato assim, não é tão tudo assim- talvez ele seja o que eu faça parecer. Eu dramatizo, ora!
Lidar com esse devaneio não é pra qualquer um ou lidar com sentimentos que não combinam com aquilo que você acredita em si mesmo. Alguém tão inteligente, tão bacana, tão bem sucedido, tão bom, tem o direito ao engano ? Tem direito a fantasia?
Mais, alguém tão inteligente, tão bacana, tão bem sucedido, tão bom, pode ser tudo isso ainda que não pareça tudo iso?
Você o amaria se fosse fácil defini-lo? Porque tudo que se sabe é o quanto se ama sem definições, o quanto se é capaz de amar na dúvida, o quanto se pode amar no meio fio entre o desejo e a incerteza.
Quando a gente pensa que já chega, outras tantas perguntas acontecem. Como treinar a palavra e o gesto certo , e diante dele, desmontar – nunca ser suficientemente capaz ou não ter medo ou dizer ” não, eu não me deixo enfeitiçar por aquilo que você não é ” – ou “Cadê você de verdade pra que eu possa continuar amando cada virgula sua , cada grande equívoco seu, cada partida sua e cada volta – não importa o que, mas que seja você do jeito que você é” .
Eu te desejaria, se você me completasse como julgo correto completar ? Ou é justamente o incompreensível que me seduz? Eu te amaria se você me amasse igual ou eu continuaria a inventar você e por isso brilha tanto e sempre mais?
Príncipes não traduzem a exatidão, o certo e o errado.
Príncipes beijam de tirar o fôlego , mas não toleram promessas.
Príncipes não dizem como e por que.
Príncipes existem pra que você entenda que o perfeito é justamente amar o imperfeito.
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