
Pois é, eu que sou louca por cinema, por incrível que pareça, nunca tinha visto Patch Adams.
Como quase todo mundo já viu, não preciso dizer mto né? O filme é mto bom…bjos sem mais palavras- vou enxugar as lágrimas! rs.
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Pois é, eu que sou louca por cinema, por incrível que pareça, nunca tinha visto Patch Adams.
Como quase todo mundo já viu, não preciso dizer mto né? O filme é mto bom…bjos sem mais palavras- vou enxugar as lágrimas! rs.
Eu vivo num outro planeta. Nesse meu mundo as pessoas ainda choram por alguma razão ou por alguém.
Aqui pessoas vibram, dão colo umas para as outras sem apontar seu dedo enorme como a grande sabedoria – razão, razão e razão.
Eu não quero ter razão. Eu quero sentir.
A essa altura da vida eu não me sinto em casa em lugar algum. A minha casa não é a minha casa e o meu coração não é a minha casa enquanto nele houver um buraco gigante que tem um nome só.Então, é aqui dentro de mim – que vivo.
Eu fico vendo essas mães de filmes, esses filhos de filmes, esses amores de filmes, e me dá uma tremenda frustração dessa vida como ela é. Lá fora ninguém te dá esse afago entre doçuras, e ninguém tem essa calma ou segura a sua mão como se dissesse “nada de ruim vai te acontecer, confie em mim”. A verdade é que esse lugar onde não habito é cru e cruel – é o que é!
Há muito tempo eu não me sinto parte de nada. Eu escrevo, sabe? Realizo pouco- e escrevo, sabe? Fantasio , deliro- e escrevo, sabe?!
O meu “currículo” é tão frágil, que eu inventei um cara pra chamar de meu. E agora eu botei na cabeça que ele é meu de verdade e que o futuro existe.Imagina o tamanho da piada que pensam que eu plantei !!??
Eu já gritei tanto, que ninguém me ouve. Eu já sofri tanto, que ninguém me vê.E tudo que sou é um amontoado de emoções fora de moda – sentimentalismo que muitos chamam de barato e ninguém compra.
O mundo gira, e eu me sinto cada vez mais só. Cada vez mais sem lugar quando tento sair de mim. E embora saiba quem sou e o que quero, não encontro quem compartilhe isso comigo- é gente que entra e sai, que vai e volta – gente que não entende nada que não seja si mesma- é gente que não sente , que não precisa de gente – é gente que comigo não se entende..é gente demais e afeto de menos.
No meu mundo não existe a contemplação desse monstro solitário que alguém precisa ser pra ter sorte e sucesso. Aqui não se corre do amor , porque existir só é existir quando você se joga , se mostra , fraqueja , grita , chora , enfrenta, reza , volta atrás , se contradiz , se esquece um pouco pra gostar mais de alguém , se culpa , se perdoa e começa tudo de novo – sem medo.
Eu não quero a porra da razão. Eu quero a magia do sentir.
Todos esses anos na contramão e comigo a velha ilusão, a sorte láaaaaaa longe, a voz que não calo doa a quem doer e uma memória de elefante. Eu sou sim , repleta de passado, presente e futuro.
Do pouco que eu quis, me restam algum bom humor debochando do fracasso e uma esperança cega atropelando essas tralhas no caminho. Nenhuma surpresa- infelizmente.Nenhuma folga ou alegria antecipada.
Perdão aos da mesma espécie se não os reconheço. Já disse- “me sinto cada vez mais só” – (e vira eco. eco. eco.), e de repente, é como se não existisse mais ninguém e mais nada.
No meu mundo- eu e a solidão fazemos companhia ao barulho dessas janelinhas que abrem e fecham na minha cabeça- a tentativa de não mudar ou não enlouquecer !
Desafiando a felicidade, eu resolvi ficar aqui pra sempre.
Por Caio F.Abreu
Deixe que ele respire, como uma coisa viva. E tenha muito cuidado: ele pode quebrar.
Como um bebê ou um cristal: tome-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode quebrar, o momento presente. Escolha um fundo musical adequado — quem sabe, Mozart, se quiser uma ilusão de dignidade. Melhor evitar o rock, o samba-enredo, a rumba ou qualquer outro ritmo agitado: ele pode quebrar, o momento presente. Como um bebê, então, a quem se troca as fraldas, depois de tomá-lo nas mãos, desembrulhe-o com muito cuidado também. Olhe devagar para ele, parado no canto do quarto ou esquecido sobre a mesa, entre legumes, ou misturado às folhas abertas de algum jornal. Contemple o momento presente como um parente, um amigo antigo, tão familiar que não há risco algum nessa presença quieta, ali no canto do quarto. Como a uma laranja, redonda, dourada — mas sem fome, contemple o momento presente. Como a cinza de um cigarro que o gesto demorou demais, caída entre as folhas de um jornal aberto em qualquer página, contemple o momento presente. E deixe o vento soprar sobre ele.
Desligue a música, agora. Seja qual for, desligue. Contemple o momento presente dentro do silêncio mais absoluto. Mesmo fechando todas as janelas, eu sei, é difícil evitar esses ruídos vindos da rua. Os alarmes de automóveis que disparam de repente, as motos com seus escapamentos abertos, algum avião no céu, ou esses rumores desconhecidos que acontecem às vezes dentro das paredes dos apartamentos, principalmente onde habitam as pessoas solitárias. Mas não sinta solidão, não sinta nada: você só tem olhos que olham o momento presente, esteja ele — ou você — onde estiver. E não dói, não há nada que provoque dor nesse olhar.
Não há memória, também. Você nunca o viu antes. Tenha a forma que tiver — um bebê, um cristal, um diamante, uma faca, uma pêra, um postal, um ET, uma moça, um patim — ele não se parece a nada que você tenha visto antes. Só está ali, à sua frente, como um punhado de argila à espera de que você o tome nas mãos para dar-lhe uma forma qualquer — um bebê, um cristal, um diamante e assim por diante. E se você não o fizer, ele se fará por si mesmo, o momento presente. Não chore sobre ele. No máximo um suspiro. Mas que seja discreto, baixinho, quase inaudível. Não o agarre com voracidade — cuidado, ele pode quebrar. Não ria dele, por mais ridículo que pareça. Fique todo concentrado nessa falta absoluta de emoção. Não espere nada dele, nenhuma alegria, nenhum incêndio no coração. Ele nada lhe dará, o momento presente.
Deixe que ele respire, como uma coisa viva. Respire você também, como essa coisa viva que você é. Contemple-o de frente, igual àquela personagem de Clarice Lispector contemplando o búfalo atrás das grades da jaula do jardim zoológico. Você pode estender a mão para ele, tentar uma carícia desinteressada. Mas será melhor não fazer gesto algum.
Ele não reagirá, mesmo todo pulsante, ali à sua frente.
Respire, respire. Conte até dez, até vinte talvez. Daqui a pouco ele vai começar a se transformar em outra coisa, o momento presente. Qualquer coisa inteiramente imprevisível? Você não sabe, eu não sei, ele não sabe: os momentos presentes não têm o controle sobre si mesmos. Se o telefone tocar, atenda. Se a campainha chamar, abra a porta. Quando estiver desocupado outra vez, procure-o novamente com os olhos. Ele já não estará lá. Haverá outro em seu lugar. E então, como a um bebê ou a um cristal, tome-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode quebrar, o momento presente. Experimente então dizer “eu te amo”. Ou qualquer coisa assim, para ninguém.

Pensei que seria um filme àgua com açucar! Mas me surpreendi.
The last kiss é um filme sobre relacionamentos- as dúvidas, tentações, as escolhas que devemos fazer e o quanto essas escolhas afetam profundamente as nossas vidas.
Bom filme.Recomendo.