Eu nunca estive tão mal humorada e irritada, quanto nos últimos dias. Meu saco estourou!
A culpa é dessa certeza de que nem sempre se colhe o que planta, e que você nunca será suficientemente bom – por mais que tente.
As pessoas estão desaprendendo em matéria de afetividade. E carinho, sabe carinho? Pois é, sabe- se lá por onde ande anda.
Pavio curto e milhares de pedras nas mãos. Porque está além do meu entendimento perceber que o mundo gira ao contrário e que quanto maior é o desejo, maior é a desilusão.
O tempo urge e de concreto, eu só tenho ar. De resto,um amor que me angustia mais do que me dá prazer , um lugar onde eu já não me sinto mais em casa , talento e habilidade soltos no espaço , amigos que eu não reconheço e pouca sorte .E quando nem com a sorte você consegue contar , você vai contar mesmo com que?
Se aos doze anos alguém dissesse como eu me sentiria agora, ia parecer piada. Nenhuma das minhas projeções do passado em relação ao futuro se tornaram reais- (nesse caso ninguém é tão culpado quanto o si mesmo ) mas pior do que sonhos não realizados é o “banal ” não realizado- Eu também contava com o banal – e nem isso eu tive.
Se ter saúde é ser feliz, estou na média. Somatizo demais e adoeço fácil .Raiva me adoece.Mágoa me adoece.Injustiça me ADOECE com letras maiúsculas.Ingratidão me adoece.E claro, o fracasso me adoce bem mais.
E as pessoas? Pessoas me adoecem porque espero além do que elas podem ser ou porque de fato elas não podem ser absolutamente nada do que eu espero ou porque não sou e não consigo ser o que elas gostariam que eu fosse.
Ando farta do inacreditável na mesma proporção em que ando farta do óbvio.
Vejo a novela, o filme, ouço o som, digito merda no twitter, faço amigos, leio, e mesmo assim tenho levado a vida através da poeira.
Nada me tira essa pedra do sapato- nada me renova ou me destrava.
Escrever? tá tudo tão, TÃo, TÃO, que vou escrever mesmo sobre o que? Coisa feia e fatos tristes já não me dizem nada – um vazio que conheço de longa data, uma decepção cansada – as mesmas desculpas baratas (minhas e dos outros), o mesmo verso e alegrias que não vão além.
Quisera eu no meio disso tudo acordar ou esquecer. Ser outra.E sendo outra , não olhar pra trás.
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