Ontem enquanto esperava o atendimento no supermercado, uma cena me comoveu!
Não…. não foi nenhum menino de rua , não foi alguém doente e não foi a inflação. Foi a cabeça de uma mulher no ombro de um homem (com direito a cafuné)!
Na volta pra casa eu pensava em que estágio da vida alguém se comove com uma cena dessas?!
A cena que desperta o imaginário traduz um desejo: Um ombro amigo, amado, amante e algo fundamental em qualquer relacionamento: Segurança.
Quem se arrisca fazer promessas ou dizer sim -simplesmente ? Nem pensar, não é? Porque amanhã é outro dia e as pessoas já eram e outras tantas virão, e as lembranças não existirão e tudo é substituível, descartado e esquecido.
Por trás da minha emoção/comoção existe um cansaço. É muita gente em cima do muro.É muito jogo.É muita indecisão.É muito “pouco caso “. É muita falta de comprometimento com as pessoas e com os próprios sentimentos.
Dê dois passos e diga quem é você. O que pretende blefando e escondendo o jogo?
Perde-se a delicadeza para virar bicho e toda sua mesquinhez! É de amargura e indiferença que a gente enche “um pote de mágoa”.
O amor é tudo. Dane-se a redundância ou o quanto se vive negando o fato.Compartilhar é tudo!
Revelo-me naquele momento do cotidiano e do gesto simples. E através da carência ou dos afetos vividos e sofridos posso talvez, entender quem sou.
A gente briga por tanto! Quer viajar, ganhar dinheiro, fazer amigos, ficar antenado, cuidar da aparência, passar num concurso – a gente quer tudo ao mesmo tempo, e descobre num dia qualquer , diante de uma situação superficialmente banal, que o que faz falta mesmo é aquele ombro -sem o qual qualquer um de nós é apenas uma metade!
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