- mar
- 16
- 2009
Vamos lá- eu fiz uma força! Sem vontade alguma, sem estímulo, sem clima- me esforcei e fui pro tal show.
Afinal é a dupla sertaneja do momento! Go pessoal…go…
Se eu gosto de Victor e Léo? Até que sim! Eu tenho meu lado brega assumido e cheia de orgulho! Os caras mandam bem, sei cantarolar algumas musicas ..Vamos lá / você precisa sair de casa/ Vamos sair da frente desse computador/ Vamos dar um tempo de escrever/ Vamos deixar os seriados de lado/Vamos parar de pensar e pensar e pensar…e fazer bobagens!
Então eu descubro o quanto estou ficando velha e cricri – e no meio daquele povo mal vestido e da fumaça do churrasquinho de gato, e nos trezentos cubículos que eles chamam de banheiro pra dar uma mijadinha, e numa fila interminável estacionar e outra pra comprar uma água que custa 3 reais- ; tudo que eu mais desejei era a minha cama, o meu ar condicionado e o meu silêncio, e o meu nada pra fazer.
Eu não tenho mais o menor saco pra esse tipo de lugar e quanto mais passa o tempo, quanto mais o meu filho cresce, quanto mais eu vejo as barbaridades que acontecem por aí – mais cresce o meu pavor a multidão. Fora o risco, que soa como desculpa para os baladeiros de plantão – e não é- me irrita profundamente aquelas pessoas esfregando os ombros umas nas outras , a dificuldade em me locomover, cheiros misturados, não ter hora pra começar – e tudo que envolve esse tipo de evento.
E os casais que a gente vê num lugar desses parecem saídos de um filme de terror! Não existe mais critério, a mulherada está desesperada – e além de ser uma velha caduca sou chata, exigente -e me encho de desesperança!
Eu não vejo meu príncipe encantado no meio daquelas pessoas, porque seja ele quem for – espero que não veja problema algum em ficar sábado a noite lendo um livro, vendo um filme – e achando essa a melhor programação do mundo!
Quem me conhece sabe que não sou metida, nem sou fresca! Então me isento dessa culpa- Não preciso dizer que adoro estar no meio do povo para ser a mais humilde criatura – e não preciso frequentar o lugar da moda para me mostrar descolada e por dentro de alguma coisa (por dentro de que mesmo??)
E o vazio que hoje em dia isso me dá ??? não tem fim.
Eu não vejo mais sentido em sair do meu conforto para tentar ser gente, para tentar encontrar alguém ou parecer que estou entrosada com o universo- e depois ficar perguntando de cinco em cinco minutos, “que diabos que estou fazendo aqui quando eu dava tudo pra estar em outro lugar? ”
Era pra ser divertido- a dupla é muito boa – eu até dei muitas risadas porque afinal, os meus questionamentos chegam ao cômico, e as pessoas que estavam comigo fazem a festa elas mesmas – num show ou numa esquina e até a minha vontade de sair correndo dali tinha toda graça do mundo porque eu sei que na atual circunstância, isso é o sentimento de um ET- e se eu não estou velha na idade, sou de outro mundo – não tem mais explicação!
Certamente alguém vai me achar num outro lugar desses, num outro show, numa outra tentativa de me ” enquadrar” ou procurando algo que eu nem sei o que é ou que muito provavelmente jamais vou encontrar -mas nada substitui o prazer de estar cercada de poucos e bons ou envolvida em silêncios preciosos. Nada substitui um bom papo , uma taça de vinho e uma noite que você escolhe quando termina.
E mais um vez entendi que felicidade não significa barulhos, certos lugares e quantidade de pessoas -é se sentir inteiro e em paz, seja onde for e da forma que for.
12 comentários










