- set
- 19
- 2009
É uma força estranha essa que me faz cada vez mais acreditar que para alguns, tudo é descartável.
Se for pra ter paz, não sinta saudades. Ou simplesmente finja que não entende quase nada.
Que sorte essa, de tranquilamente guardar memórias na gaveta. Não surtar, não desejar profundamente , não fazer loucuras , quase não pensar.
Assim vai ficando fácil e sem culpa. Já que alguém não te leva a sério , vai morrer?
Aprenda- largada / as traças – ou qualquer nome que a gente dá a solidão -, que nada é tão grave assim. Fracasso é não fazer o impossível !
Então vai lá, enfia a memória na gaveta também e anestesia até o fundo da alma. Como se a alma não tivesse uma história; como se a história não tivesse um nome e como se o nome não tivesse um dono.
Fazer de outro doce o doce predileto. Deletar o prazer fugaz de um segundo que nada mais é, do que o próprio segundo mostra ou parece que mostra.Ilusão?
“Para sempre” é um lugar que nem sempre existe- não é assim?
Sentimentos precisam de abrigo. Sentimentos querem festa, braços abertos, palavras, sorrisos, sinais e entusiasmo.
Sem lugar, o sentimento nada mais é do que uma estrela descolada do espaço – um nome qualquer, uma teoria. Não sobrevive, não desvenda , não vale – não compensa existir a sombra da própria sorte.
O vazio depois do prazer. Um verso simples.Qualquer coisa pra entender que alguém prefere um passo de cada vez – ficando , abrindo mão, não querendo se comprometer , esquecendo.
Não se sabe quanto dura a eternidade, nem para onde ir , até quando ou o que vale tudo isso.Não sabe passear num equívoco e voltar inteiro.
É num buraco sem fundo que alguém desejar ser notado? Sufocando cada segundo de loucura ou de raiva? Festejando migalhas?
É devastador invalidar um momento para o qual o desejo disse sim e as circunstancias da vida dizem não. E continua difícil acreditar que no fundo, no fundo, nada vale à pena.
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